Turismo de aventura está na moda. E não falo aqui do turismo praticado por aventureiros, que põem uma mochila nas costas e saem por aí, para o que der e vier. Quero tecer algumas considerações sobre o turismo de aventura para leigos, ou seja, para nós que viajamos com filhos, que já não estamos na mais tenra idade e nem na mais perfeita forma física, que já queremos um mínimo de conforto e, se possível, unir as aventuras a experiências gastronômicas e outras :-)
Mas por que escrever sobre isto? Porque tenho observado nas viagens que fiz ultimamente uma parcela de brasileiros seduzidos pela moda do turismo de aventura, pelas lindas fotos tiradas por um amigo, pelo status de dizer que foi a este ou aquele lugar - mas que não estão minimamente preparados para este tipo de viagem. E que vão ter suas expectativas um pouco - ou muito - frustradas. E convenhamos, para quase todos nós mortais o tempo e o dinheiro para as férias são bens escassos e precisam ser muito bem aproveitados.
Ou seja, quem quer fazer uma expedição pelas geleiras da Patagônia, pelo deserto do Atacama, pelos rios e florestas da Amazônia, pelas dunas e manguezais dos Lençóis Maranhenses ou ainda um safári na África, entre outros destinos, tem que estar ciente de certos aspectos inerentes a este tipo de turismo. E ver se esta é, de fato, a sua praia. Ou se seria melhor curtir uma praia de verdade, com areia, sol, mar e muito sossego.
Vamos lá.
Turismo de aventura com conforto é caro
Sim, não tem jeito. Os hotéis onde o turismo de aventura é praticado, sejam eles confortáveis ou luxuosos, normalmente ficam no meio do nada: na selva, no deserto, nas geleiras, etc. É quase sempre difícil e caro manter uma estrutura nestes locais, trazer suprimentos e treinar pessoas. E a maioria destes hotéis tem um comprometimento com a sustentabilidade: procuram interferir o mínimo possível na Natureza, promovem programas de reaproveitamento e reciclagem e prestam serviços à comunidade (por exemplo, os guias do Explora Atacama dão aulas de inglês para as crianças da cidade de São Pedro do Atacama), ações que podem encarecer ainda mais a operação do local. Ou seja, só vá se você curte muito este tipo de aventura. Vi gente nestes hotéis que se recusa a acordar cedo para os passeios ou deixa de fazer vários deles para ficar lagarteando na piscina. Nada contra isto, mas financeiramente não compensa mesmo :-)
Respeite os horários e o ritmo da Natureza
Estes hotéis onde se pratica turismo de aventura com conforto (ou luxo) são quase como um acampamento: há horários rígidos para acordar, não se pode atrasar para os passeios e em alguns casos é preciso acordar de madrugada mesmo. Por exemplo, nos safáris na África durante o verão sair tarde significa não ver muitos animais, pois eles se escondem por causa do calor. No Atacama, os gêiseres só aparecem de manhã bem cedo. E experimente andar pelo deserto mais árido do mundo entre 11 da manhã e 3 da tarde! Ou seja, é necessário respeitar o ritmo da Natureza. A pontualidade também é um elemento essencial, já que os passeios normalmente exigem veículos adaptados ao clima e relevo do local, as distâncias são grandes, é necessário ter gente treinada e equipamentos de segurança, pelo que os passeios normalmente são montados para grupos e não individualmente e não dá para simplesmente dormir mais meia hora e deixar todo mundo esperando.
Fique ciente das intempéries
Quando a gente lida com a Natureza, está sujeito às intempéries. Se chover, simplesmente não dá para fazer o safári, já que o carro é aberto. Andou horas e não viu nenhum animal interessante? Acontece. Em alguns lugares as estradas de acesso são precárias e quando chove algumas ficam intransitáveis e simplesmente não dá para fazer determinados passeios. Foi fazer o passeio para observar as baleias e elas não apareceram? Faz parte. Não dá para apertar um botão como na Disney para ver as maravilhas da Natureza. Isto é muito importante principalmente em relação às crianças, pois precisamos gerenciar muito bem suas expectativas neste tipo de viagem. Paciência, não adianta esbravejar, são riscos inerentes ao turismo de aventura.
Prepare-se para passar desconforto
Turismo de aventura, mesmo com conforto ou luxo, demanda algum desconforto e é preciso estar preparado para isto. Primeiro, como já falei acima, a questão dos horários rígidos e de ter que acordar algumas vezes de madrugada. Prepare-se ainda para passar frio, passar calor, ficar no vento, engolir uma montanha de pó, sacolejar num veículo desconfortável por horas, ficar com o sapato cheio de areia ou com a garganta seca, ser comido pelos bichos. Não gostou da ideia? Desista do turismo de aventura, melhor ir mesmo curtir uma praia, andar ao léu pelas ruas de alguma cidade charmosa ou fazer um cruzeiro, o que te apetecer mais.
Porém, se você topar encarar todos estas questões com espírito esportivo, disposição e paciência, será recompensado com grandes emoções e com algumas das experiências mais incríveis que uma pessoa pode ter na vida. Poucas coisas são tão bacanas como o silêncio do deserto ou das geleiras e suas paisagens contrastantes, o som da selva e a observação dos animais vivendo no seu mundo, como se você não estivesse lá. Ou andar a pé dentro de uma floresta e poder explorá-la. Certamente compensa, e muito!



Perfeito. Parabéns e obrigado. =)
ResponderExcluirSensacional post. Depois que ninguém diga que não foi avisado...
ResponderExcluirConcordo com tudo o que você escreveu! Quem encara esses "desafios" com consciência e bom humor geralmente é recompensado com experiências únicas!
ResponderExcluirMuito bom! A natureza não é a Disney!
ResponderExcluirPerfeito. Dá vontade de imprimir para entregar aos brasileiros que reclamam que o deserto é quente, é vazio e "não tem nada para fazer".
ResponderExcluirMuito bom, Lu. Sou da turma dos "aventureiros", e já vi muita gente não-preparada nesses grupos de turismo de aventura. Pessoas q se frustram exatamente pq não entendem q o ritmo da natureza é independente do quanto vc pagou pelo passeio - a baleia, por ex., pode simplesmente não aparecer e pode chover e o cenário não ser o da ftoo q vc viu. E pra falar a verdade, me preocupa tb a falta de preparo físico p/ certas atividades. Pq vc pode gerar uma situação de perigo real, com alguém passando mal no meio do nada. Por outro lado, a oportunidade de exatamente aprender q o ritmo natural é outro é interessante, principalmente pras crianças. E aprender in loco sobre um ecossistema, um comportamento, uma paisagem geológica... é muito mais enriquecedor.
ResponderExcluirRealmente não é para todos. Para mim fazer campismo já é uma grande aventura ha ha
ResponderExcluirValeu pessoal! Que bom que gostaram e, mais importante, que bom que tem mais gente que pensa como eu.
ResponderExcluirSabe que sempre penso nisso? Tem um outro aspecto também importante. A questão das atividades esportivas. Exemplos: rafiting, rappel,ski, mergulho, etc. Pessoa nunca na vida fez nada. Tira férias e o guia do passeio resolve que ela tem que mergulhar de uma pedra de 7 metros! Aconteceu comigo! Claro que não me meti a saltar, mas muita gente entra nessa. Bela forma de acabar com as férias e guardar uma péssima recordação...
ResponderExcluirBeijos Lu! Adorei! :-)
Perfeito Lu, você disse tudo! Não pode ter frescurites rsrsrs.. Eu curto bastante, mas meu marido nem tanto..r srs É uma luta constante!
ResponderExcluirLu, que post sensacional! Quando eu vejo aquelas fotos maravilhosas do Atacama, claro que tenho vontade de ir, mas tenho muita consciência das minhas limitações. Minhas aventuras têm que ser beeem tranquilas, nada de exageros. Beijos.
ResponderExcluirExcelente, Lu! Baita reflexão - e assino embaixo. Eu sou ultra cosmopolita, sedentária, medrosa e pouco afeita ao mundo animal. Mas quando embarco no turismo de aventura, é de corpo e alma - e nunca, nunca, nunca me arrependi.
ResponderExcluirAmei Lu...
ResponderExcluireu faço o turismo de aventura Light... ainda estou colocando o pézinho em atividades mais radicais.
Adorei seu texto. Eu sou daqueles que adora uma aventura, mas desde que não signifique arriscar a segurança. Adrenalina? Em doses homeopáticas! Apesar de gostar de atividade física (corrida), concordo com o que o pessoal falou. Fazer coisas que o seu corpo não está preparado só vai servir para ganhar dores e até lesões físicas! Sou super urbano, tenho ojeriza a cheiro de fazenda (tipo vaca, ovelha, galinha, porco!), mas fazer trilhas em geral, particularmente trekking de montanha é TUDO DE BOM!!!!
ResponderExcluirLuciana, eu não sou do tipo que gosta do desconforto, mas morro de vontade de um dia conhecer essa lado mais exótico da terra.
ResponderExcluirBjs e bom domingo
Não me considero aventureira, mas já fiz arborismo e adorei. E olhe que a troca dos ganchos era por minha conta!
ResponderExcluirAdoraria andar de helicóptero, acho que altura não é problema pra mim, mas esportes radicais não fazem o meu gênero.
Já fui parar num hospital por conta de intoxicação alimentar, isso também é um grande problema em viagens.
Mas continuo achando viajar um dos grandes prazeres da vida. Planejamento é essencial.
Bjs.
Que post bom! Adorei seu blog!
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